Dia Internacional pela Saúde da Mulher:

quando os cuidados ainda são

um privilégio para muitas


28 de maio de 2026

No dia 28 de maio assinala-se o Dia Internacional pela Saúde da Mulher, uma data que pretende alertar para a necessidade de garantir às mulheres o acesso efetivo, digno e equitativo aos cuidados de saúde, promovendo a prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado ao longo de todas as fases da vida.


Apesar dos avanços registados nas últimas décadas, a saúde da mulher continua marcada por desigualdades no acesso aos cuidados, atrasos no diagnóstico e dificuldades na resposta do sistema de saúde a necessidades específicas da população feminina. Falar da saúde da mulher é, por isso, falar de direitos, de qualidade de vida e também de justiça social.

O cancro da mama: a principal morte oncológica entre as mulheres


Em Portugal, os dados continuam a demonstrar a importância da prevenção e da deteção precoce. O cancro da mama permanece como o tipo de cancro mais frequente nas mulheres e a principal causa de morte oncológica feminina. Estima-se que sejam diagnosticados cerca de 9 mil novos casos por ano no país e que mais de 2 mil mulheres morram anualmente devido à doença. 


Nos últimos anos, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem reforçado os programas de rastreio oncológico, procurando aumentar a cobertura e o acesso das mulheres aos exames preventivos. Em 2025, o rastreio do cancro da mama foi alargado às mulheres entre os 45 e os 74 anos, numa medida que pretende aumentar o diagnóstico precoce e reduzir a mortalidade associada à doença. 


Os dados mais recentes revelam também que Portugal já ultrapassou a meta europeia de cobertura populacional para o rastreio do cancro da mama, tendo 99% das mulheres elegíveis sido convidadas a participar. Ainda assim, a taxa de adesão continua abaixo do desejável, situando-se nos 56%, o que demonstra que persistem obstáculos relacionados com a literacia em saúde, o acesso aos cuidados e até com o medo ou desvalorização dos sinais de alerta. 


A saúde da mulher, contudo, vai muito além da dimensão oncológica: questões relacionadas com saúde mental, gravidez e maternidade, menopausa, doenças cardiovasculares, endometriose, saúde sexual e reprodutiva ou violência obstétrica continuam a exigir maior atenção, investimento e capacidade de resposta.


Muitas mulheres continuam a adiar consultas, exames ou tratamentos devido às exigências profissionais, familiares e sociais que assumem diariamente. Entre o trabalho, os cuidados à família e a gestão da vida doméstica, a própria saúde acaba frequentemente relegada para segundo plano, como se o corpo fosse sempre obrigado a “esperar pela próxima pausa”, mesmo quando já dá sinais de exaustão.

O papel (muito) importante dos enfermeiros na prevenção


Neste contexto, os profissionais de saúde, particularmente os enfermeiros, desempenham um papel absolutamente essencial. A proximidade às pessoas, a capacidade de acompanhamento contínuo e o trabalho desenvolvido na promoção da literacia em saúde tornam a enfermagem um dos pilares fundamentais na prevenção da doença e na promoção do bem-estar das mulheres.


Os enfermeiros acompanham as mulheres em diferentes etapas da vida, desde a adolescência até ao envelhecimento, intervindo em áreas tão distintas como a saúde sexual, o planeamento familiar, a saúde materna, os cuidados comunitários, a prevenção oncológica, a saúde mental e os cuidados continuados. São frequentemente o primeiro ponto de contacto, apoio e orientação para milhares de mulheres.


Assinalar o Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher é, por isso, também reconhecer a importância de investir num SNS mais forte, acessível e humanizado, capaz de responder com qualidade às necessidades reais da população feminina.


A saúde da mulher não pode depender da condição económica, do local onde se vive ou da capacidade de suportar tempos de espera prolongados. Deve ser entendida como uma prioridade coletiva e como um compromisso permanente de toda a sociedade.


Neste dia, a ASPE reafirma a importância de defender políticas de saúde mais inclusivas, acessíveis e eficazes, bem como de valorizar os profissionais de saúde que diariamente garantem cuidados de proximidade, prevenção e acompanhamento às mulheres em Portugal, até porque a maioria dos profissionais de enfermagem são mulheres.

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