3.ª Reunião SIADAP: Tutela reconhece “domínio técnico”

da ASPE e admite evolução da proposta



08 de maio de 2026


A Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) participou esta sexta-feira na terceira reunião negocial com a tutela sobre a adaptação do SIADAP 3 à carreira especial de Enfermagem, num encontro marcado por uma análise da proposta integrada em discussão, esclarecimentos da tutela quanto à importância destas alterações e pela identificação de soluções que permitam tornar o modelo de avaliação mais justo, coerente e operacionalizável nas diferentes realidades das Unidades Locais de Saúde (ULS).

ASPE defende um modelo mais coerente e ajustado à realidade da Enfermagem


Ao longo da reunião, a ASPE reiterou que a proposta deste sindicato foi construída com base em princípios de simplificação, coerência e adequação às alterações legislativas e estruturais que a carreira de Enfermagem sofreu nos últimos anos.



A ASPE sublinhou ainda que a proposta apresentada pelo Governo mantém as várias fragilidades já identificadas no sistema atualmente em vigor, considerando que existe uma excessiva aproximação à anterior Portaria n.º 242/2011, limitando-se sobretudo à adaptação do ciclo avaliativo para um período anual.

Nesse sentido, a ASPE defendeu que a adaptação do SIADAP 3 não pode ignorar a evolução da carreira de Enfermagem nem as exigências concretas dos contextos assistenciais atuais.

Ponderações entre objetivos e competências


Um dos principais pontos debatidos durante a reunião prendeu-se com a definição das ponderações atribuídas aos diferentes tipos de objetivos e às competências.


A ASPE explicou que a sua proposta reduz o peso dos objetivos de intervenção de 50% para um intervalo entre 35% e 45%, permitindo uma distribuição mais equilibrada da avaliação e evitando que metade da classificação final dependa apenas de uma única tipologia de objetivos.


Defendemos ainda a valorização da componente comportamental e das competências profissionais, considerando que a atividade dos Enfermeiros possui uma forte dimensão relacional, ética e comportamental que deve ser reconhecida também neste processo avaliativo.


Foi igualmente reforçada a necessidade de manter coerência entre os conceitos utilizados na lei geral e aqueles que venham a constar na adaptação específica da carreira de Enfermagem.

Competências e objetivos devem ser definidos de forma transversal nas ULS


Outro dos temas centrais da reunião incidiu sobre a criação de listas únicas de objetivos e competências dentro de cada ULS.


A proposta da ASPE prevê que, nas ULS, os Conselhos Coordenadores da Avaliação dos Enfermeiros assumam definitivamente o papel central na definição dessas listas, garantindo que os indicadores sejam uniformes entre Enfermeiros, transversais aos contextos e alinhados com os objetivos estratégicos de cada instituição.


Segundo a ASPE, esta metodologia permitirá assegurar maior coerência interna no processo de avaliação, evitando discrepâncias entre serviços/unidades ou equipas e promovendo uma lógica de objetivos “em cascata”, alinhados com os planos estratégicos das ULS.

Regras para os avaliadores geraram debate


A definição dos critérios para o exercício das funções de avaliador foi outro dos pontos discutidos durante a reunião.


A ASPE defendeu que o primeiro avaliador deve ser o superior hierárquico de Enfermagem. Defende ainda que para o exercício da função de avaliador o Enfermeiro deverá deter no mínimo a categoria de Enfermeiro especialista, por considerar que esta exigência é coerente com a estrutura tricategorial da carreira de Enfermagem.


A ASPE frisou ainda a importância de evitar situações de inversão hierárquica ou funcional nos processos avaliativos, admitindo, contudo, alguma flexibilidade relativamente à área de especialidade do avaliador, tendo em conta as diferentes realidades dos contextos.

ASPE alerta para problemas no cumprimento dos ciclos avaliativos


Durante a reunião, a ASPE chamou ainda a atenção para uma realidade que continua a verificar-se em várias ULS: o incumprimento dos ciclos avaliativos.

Alertámos para a necessidade da futura Portaria prever mecanismos claros para responder a situações em que não se consigam concretizar o processo de avaliação.


A ASPE recordou que persistem dificuldades operacionais práticas em grande parte do país e defendeu que a regulamentação deve contemplar soluções concretas para proteger os Enfermeiros perante essas situações.

Governo admite abertura para evolução da proposta


No final da reunião, a tutela reconheceu o grau de detalhe técnico da proposta apresentada pela ASPE e manifestou abertura para continuar a aprofundar o trabalho negocial.


Foi anunciado que será enviada uma nova versão da proposta do Governo, bem como uma indicação de data para nova reunião presencial.


Nesta reunião em representação da ASPE estiveram a Vice-Presidente Andrea Oliveira e os Conselheiros Nacionais Maria Guimarães (ULS de Santa Maria), Fernanda Macedo (ULS de Braga), Rui Libório (ULS de Viseu Dão-Lafões) e Marta Inácio (ULS de Santo António). 


A ASPE continuará a acompanhar este processo negocial de forma ativa, defendendo um modelo de avaliação transparente, equilibrado e adaptado à realidade do exercício profissional dos Enfermeiros.



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